Dados dos Resultados do Primeiro Inquérito Nacional de Custos Catastróficos incorridos pelos Pacientes com TB (tuberculose) no Brasil, apresentados recentemente, mostram que as pessoas com co-infecção TB/HIV e os trabalhadores autônomos, tem mais chance de gastar seus recursos quando afetados pela TB. O estudo aponta também a necessidade de ampliação no acesso e qualidade da assistência, melhorando a proteção social com determinantes sociais mais amplos.
Segundo a enfermeira Ethel Maciel, coordenadora do Grupo de Pesquisa em Epidemiologia e Avaliação em Saúde da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e organizadora do livro "Eliminar a Tuberculose: Estratégias para o Controle e o Manejo da Doença", a pandemia de Covid-19 evidenciou problemas estruturais que dificultam o acesso ao tratamento e ao diagnóstico da TB, aumentando as desigualdades e os custos catastróficos para os pacientes e suas famílias.
“A pandemia de covid-19 escancarou o quanto pacientes com TB ficam desassistidos. O tratamento é longo, pode trazer efeitos colaterais e muitas pessoas acabam abandonando o tratamento. Além disso, a crise econômica aumentou o desemprego e a pobreza, o que dificulta ainda mais o acesso aos medicamentos e ao acompanhamento médico”, explicou Maciel durante a apresentação dos resultados.
O inquérito também mostrou que os gastos catastróficos com TB afetam desproporcionalmente pessoas em situação de pobreza, com baixa escolaridade e moradores de áreas periféricas. “Os custos indiretos, como transporte e alimentação, são os que mais pesam no bolso dos pacientes”, destacou a pesquisadora.
Os dados do inquérito nacional de custos catastróficos apontam que 75% dos pacientes com TB no Brasil gastam mais de 20% da renda familiar com o tratamento. A situação é ainda pior entre os pacientes com TB/HIV, onde o percentual chega a 85%. Os dados reforçam a necessidade de políticas públicas que garantam proteção social e acesso gratuito ao tratamento e diagnóstico.
A pesquisa foi realizada em 2020 e 2021 em 15 capitais brasileiras, com pacientes em tratamento para TB. Os resultados foram apresentados no Congresso Brasileiro de Tuberculose 2021.